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As estratégias defensivas turvam nossa visão – Freud tem toda razão ao lembrar que quando o caminhante canta na escuridão, recusa seu estado de angústia, mas não por isso pode ver mais claramente.

Publicado por kuinzytao em Março 5, 2007

Furos no futuro: Utopia e cultura

Edson Luiz André de Sousa*

“O fenômeno é completamente diferente para aquele que o olha de costas.”
Walter Benjamin [i]

“Como alguém poderia encontrar as palavras para descrever um pesadelo?”
Jack London [ii]

Por vezes, o futuro se apresenta como uma névoa obscura cobrindo os sonhos com a fuligem do funcionamento da máquina social e as compulsões repetitivas da história. Encobre assim, uma das categorias mais essenciais da vida: a esperança. Diante deste cenário, “das aglomerações das coisas havidas obstruindo totalmente as categorias do futuro” [iii], nosso desafio é saber como abrir furos neste véu do amanhã. Os dois acordes iniciais do texto nos exigem um despertar. Benjamin sublinha que a posição do espectador é constitutiva do campo do olhar, o que significa dizer que o território que constituímos depende da posição em que nos colocamos para desenhá-lo e, evidentemente, dos instrumentos conceituais, históricos, subjetivos, culturais, políticos que temos à mão para o esboço desta geografia. É por esta razão que Milton Santos em seu clássico livro A natureza do espaço é categórico ao dizer que só podemos pensar o espaço como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações [iv]. Assim, muitas vezes espaços distintos se apresentam como ilusoriamente homogêneos. É difícil reconhecer isto, sabemos, pois são muitas as estratégias de camuflar a diferença sob o véu das boas intenções e sob o manto dos conceitos ferozes que devoram com apetite as impurezas que marcam as diferenças. Nunca é demais prestar atenção ao alerta lúcido de Lezama Lima, ao mostrar o quanto o poder das imagens costura semelhanças produzindo >> o que ele nomeia como “voracidade das formas” [v]. Muitas destas formas funcionam em nossos tempos como circuitos pulsionais ativados pela pressa da produção, pela necessidade de ampliar o espectro de consumidores, pela sede de poder que inunda nossos espíritos confusos com promessas, culpas e dívidas. Estas duas últimas se multiplicam quando não conseguimos responder às imagens ideais que nos são propostas pela máquina do funcionamento social. Como podemos tocar a dor/espaço do outro quando algumas imagens perturbam meu sono? Neste ponto não podemos esquecer o gesto da senhora Verdurin que sofria de enxaquecas porque não tinha mais seus croissants, efeitos para ela desastrosos da Primeira Grande Guerra. Conseguiu então uma receita e ao saborear o primeiro depois de tanta abstinência abre o jornal e se depara com a noticia do naufrágio de um navio britânico afundado por um submarino alemão. Proust leva sua personagem ao extremo nos alfinetando com uma reflexão sobre fronteiras:

“Enquanto mergulhava o croissant dentro do café com leite e dava petelecos em seu jornal para que pudesse ficar bem aberto sem que tivesse necessidade de retirar a outra mão do pãozinho molhado, dizia: “Que horror, isto ultrapassa em horror as mais pavorosas tragédias”. Mas a morte de todos aqueles afogados devia lhe parecer reduzida a um milésimo, pois, com a boca cheia, fazendo aquelas reflexões desoladas, a expressão que sobrenadava em seu rosto, causada provavelmente pelo sabor do croissant, tão precioso contra a enxaqueca, era mais a de uma doce satisfação” [vi].

A senhora Verdurin está em muitos lugares e é fundamental a reconhecermos também dentro de nós mesmos. Assim, quem sabe, podemos entender um pouco mais sobre nossa indiferença, nossa negligência, nossa dificuldade de entender a dor do outro. As estratégias defensivas turvam nossa visão e, por vezes, nada melhor do que ir dormir e sonhar com outros mundos para esquecer, ou então fechar os olhos e cantar uma canção qualquer e nos distrair com outras imagens. Esta variável psicológica, por vezes negligenciada na esfera do pensamento, não pode ser esquecida, pois é do seu reconhecimento que podemos também construir zonas de resistência. Apostamos, é claro, no pequeno ruído que fica, no resto depois da catástrofe, na inquietação da alma que não se contenta com o croissant. Precisamos do compromisso ético de testemunhar aquilo que somos capazes de ver. Por isto que Sigmund Freud tem toda razão ao lembrar que quando o caminhante canta na escuridão, recusa seu estado de angústia, mas não por isso pode ver mais claramente [vii]. A angústia, neste ponto, pode nos ajudar a ver, sobretudo porque introduz a dimensão da dúvida, do “não sei”, esburaca as imagens potentes do que é claro e estabelecido. A angústia funciona, portanto, como motor de novas imagens nos obrigando a um trabalho de entendimento daquilo que vemos e que não cabe mais em nossas categorias conceituais. Precisamos ver e assim resistir à cegueira que tenta diluir algumas fronteiras. Na verdade, a diluição de fronteira pode ser uma forma de conquista hegemônica drenando para o espaço do outro a exata medida de seus meridianos e paralelos. A história nos mostra a catástrofe destas estratégias de dominação e que vai dos planos dos reis conquistadores ao dogma de algumas religiões que nunca toleraram o Deus do vizinho.
O esforço de entendimento deste cenário é o que indica Jack London com o segundo acorde inicial deste texto. Que palavra expressa, portanto, este pesadelo? Aqui percebemos o compromisso maior com a narração, com o esforço de transmissão, descrição do que vemos, do que sentimos, do que sonhamos. A pergunta de London já nos coloca de antemão diante de um desencontro entre pesadelo e palavra. Há algo que excede no pesadelo (uma dimensão traumática) e que a palavra em seu esforço heróico tenta recuperar. Contudo, esta insuficiência não deve ser tomada como desqualificação da nomeação da cena, pelo contrário, é o em falta da palavra que nos obriga a continuar buscando sempre um contorno mais preciso do pesadelo. A cultura, neste ponto, deveria vir justamente para acionar as fissuras destas brechas discursivas. Aliás, é neste ponto preciso que vamos poder situar a função das utopias como uma espécie de furo no plano dos conceitos e imagens instituídas, abrindo portanto a possibilidade de novos conceitos e novas imagens. A utopia instaura um outro tipo de contato acionando uma compreensão que vem plena de esperança, de invenção, recusando a repetição das catástrofes, a que assistimos passivos e resignados. A utopia é aqui pensada como marca maior da função da cultura, ou seja, aquela que ainda sabe cultivar o solo e que, mesmo que possa planejar o plantio, não sabe exatamente qual será o contorno e a dimensão da colheita. Se opõe portanto “aos que preferem não ver”, já que, como diz Mário Peixoto, “a vista das coisas é profunda demais para tão pequeno contato” [viii]. Fazer contato é a função fundamental da cultura, ou seja, estabelecer e organizar para um determinado coletivo uma herança compartilhada e um patrimônio de história, de símbolos mas sobretudo de ideais. Perder a dimensão do ideal compartilhado, dentro desta perspectiva, seria perder um dos traços mais fundamentais de uma cultura. Portanto, a utopia esburaca a opacidade dura das prescrições morais, dos programas partidários, dos manuais do bom consumidor e sobretudo interroga o ufanismo raivoso e sedutor do tecnicismo delirante que regula finalmente (ou quer regular) as formas do viver. Contra a burocratização do amanhã [ix], instituída para todos, por vezes lutamos com pequenas espadas onde criamos pequenos manuais de conduta (burocracias menores disfarçadas de liberdade), acreditando que esta pequena criação possa nos salvar do abismo maior. Nos vemos diante da cena patética do sujeito que pensa reagir à coação violenta da imagem imposta goela abaixo simplesmente comprando o produto do concorrente, já que não tolera ficar sem nada. Assim, sua pressa em consumir (mesmo a cultura) lhe deixa exausto, subtraindo-lhe a chance de indagar sobre a lógica e o ritmo do funcionamento desta máquina. Walter Benjamin neste ponto é visionário, de certa forma, quando aponta a deriva que a inflação da informação produz no tempo e condição da narração. Nomeia este movimento como empobrecimento radical da experiência, já que as histórias que nos representam escapam como os grãos de areia na mão quando a maré da cultura do dinheiro nos restringe o horizonte. Esta onda foi muito bem analisada por Fredric Jameson em seu ensaio A cultura do dinheiro, onde podemos encontrar a pulsação de imagens na rede de erotização do consumo.

“Já disse que as questões culturais tendem a se propagar para as econômicas e sociais. Vamos considerar primeiramente a dimensão econômica da globalização, dimensão esta que parece sempre estar se expandindo para todo o resto: controla as novas tecnologias, reforça os interesses geopolíticos, e, com a pós-modernidade, finalmente, dissolve o cultural no econômico – e o econômico no cultural. A produção das mercadorias é agora um fenômeno cultural, no qual se compram os produtos tanto por sua imagem quanto por seu uso imediato. Surgiu toda uma indústria para planejar a imagem das mercadorias e as estratégias de venda: a propaganda tornou-se uma mediação fundamental entre a cultura e a economia” [x].

Aqui podemos pensar nesta tensão entre as imagens necessárias que dão aos sujeitos um sentido de história, uma herança compartilhada, um território comum de esquecimentos e desejos, de sonhos compartilhados que produzem coletivos potentes e imagens aleatórias, vindas de qualquer lugar e que se impõem pela força erótica e retórica da máquina de convencimento, produzindo novos coletivos com fronteiras curiosas entre os que têm e os que não têm acesso a tais privilégios. O preocupante, na verdade, não é tanto a presença de tais imagens de consumo instantâneo mas a força de destruição que acabam produzindo sobre as experiências que nos singularizam. Assim, chegamos, na ótica de Walter Benjamin, a um novo tempo de pobreza. Hoje, é ainda mais claro este cenário do que há setenta anos, quando Benjamin escreveu este pequeno artigo. A apatia crítica, a resignação generalizada diante da força do mercado, e principalmente o descrédito na potência das utopias, categoria esquecida e desacreditada no debate de idéias, já que tornou-se um adjetivo útil para desqualificar uma ação, desenham um cenário de desolação.
Pensar hoje esta economia de imagens, este imperativo do gozo instantâneo que sacrifica patrimônios culturais está na ordem do dia. Este cenário vai desde prédios históricos destruídos para virarem estacionamentos rotativos, a desolação do debate político e de idéias arquitetado por um marketing calculado. Recentemente, estive visitando o que sobrou da série de casas/faróis que o grande artista e arquiteto brasileiro Flavio de Carvalho construiu em São Paulo, espírito visionário que tanto marcou a cultura visual de nosso país. Da série de casas pouco sobrou: nenhum registro, nenhuma marca no texto da cidade para que os que chegam possam ali encontrar história. Trago este exemplo, entre dezenas que poderia mencionar, pois estas casas foram praticamente os únicos projetos arquitetônicos efetivamente construídos dos inúmeros que propôs. Ali, na Alameda Lorena, no coração da cidade, algumas ruínas das casas, redesenhadas por outros arquitetos de plantão organizando os espaços do comércio e implodindo os espaços da história. Na loja de tintas ninguém sabia a história do prédio, no restaurante japonês ainda podia-se ver os recortes retangulares na parede lateral como o rabisco que resiste ao apagamento, e no café high-life podia-se ao menos comer distraído um croissant como a senhora Verdurin. A única placa que encontrei fazia palavras cruzadas no pátio interno da casa, uma senhora de mais de 80 anos, que me contou um pouco da história destas casas. Este é o cenário/desafio que temos pela frente. Benjamin nos alerta sobre o que ele chama “uma nova barbárie”:

“Pois qual o valor de todo o nosso patrimônio cultural, se a experiência não mais o vincula a nós? A horrível mixórdia de estilos e concepções do mundo do século passado mostrou-nos com tanta clareza aonde esses valores culturais podem nos conduzir, quando a experiência nos é subtraída, hipócrita ou sorrateiramente, que é hoje em dia uma prova de honradez confessar nossa pobreza. Sim, é preferível confessar que essa pobreza de experiência não é mais privada, mas de toda a humanidade. Surge assim uma nova barbárie” [xi].

Neste ponto o próprio Flávio de Carvalho nos desenha um horizonte de reflexão mostrando o quanto a criação anda de mãos dadas com a utopia quando inscreve um movimento de contrafluxo diante do instituído como senso comum. É clássica sua experiência de ter decidido caminhar no contrafluxo de uma procissão em São Paulo em 1931 para entender e provocar o princípio de movimento da massa. Esta experiência, que quase terminou tragicamente, pois Flávio de Carvalho quase foi linchado pela massa de fiéis enfurecida, funciona como paradigma da interrogação que se faz necessária para que possamos entender minimamente para onde estamos indo e o que levamos nas mãos e no espírito [xii]. A utopia cumpre esta função de contrafluxo, de anteparo de nossas certezas, esburacando a excessiva naturalização com a qual vestimos os acontecimentos. A utopia, portanto, suspende os falsos destinos que vestimos como forma de anestesiar o que temos de mais precioso, nossa responsabilidade diante da vida e do amanhã. A utopia como um furo de imagem foi equivocadamente (e ainda é) lida como prescritiva, anunciando as formas ideais e finalmente o segredo da felicidade compartilhada. Grande equívoco. Todos os grandes utopistas nunca pretenderam o lugar de deuses. Os textos utópicos nada mais são que ficções que buscam simplesmente pela força da imaginação abrir uma ferida crítica nas paisagens de nosso tempo. Pretendiam, portanto, provocar suas épocas com pensamentos e assim abrir novas fronteiras para a imaginação e a responsabilidade diante da história. Thomas Morus e sua Utopia, Tommaso Campanella e sua Cidade do Sol, Francis Bacon e sua Atlântida e tantos outros materializaram em texto o que Ernst Bloch nomeia como Princípio Esperança [xiii]. Esperança crítica que para sonhar para frente precisa conhecer minimamente alguns princípios de funcionamento da máquina social.

A utopia, nesta perspectiva, tem muito mais uma dimensão de subtração de um excesso de imagens e de sentido, exatamente como na interpretação psicanalítica, suspendendo as certezas do sujeito, do que prescrevendo novos códigos de conduta e projetos de felicidade. Tomar a utopia como revelação da verdade é uma espécie de recusa ao compromisso que cada um tem com sua imaginação. Neste sentido, recusar o texto utópico implica sucumbir resignadamente aos textos que já vivemos e assinamos embaixo muitas vezes “sem saber”. Aqui encontramos a catástrofe anunciada por Walter Benjamin quando a vincula com a experiência da repetição: “Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe” [xiv]. Sabemos o quanto a sede de poder fez de algumas “utopias” um maquinário cruel, autoritário, dogmático. A utopia que nos interessa não é aquela que sabemos, mas justamente aquela que ainda não sabemos e que precisamos inventar. Neste ponto, voltamos novamente a Jameson, que enfatiza que o texto utópico abre uma espécie de negativo, de subtração, nos confrontando com alguns desertos de imaginação que cultivamos. Neste deserto a utopia seria como colocar um pouco de água na mão e assim produzir um oceano e depois uma margem como surpreendentemente anuncia o poeta argentino Juan Gelman:

“não ponha água em sua mão
porque virá o oceano
e a margem depois” [xv]

É com esta margem que construiremos outras fronteiras para o pensamento, aquela que parte do pressuposto de que todo ato criativo é um ato utópico [xvi]. Para Jameson a utopia vale por aquilo que revela sobre o nosso em falta com a história. O texto utópico, de alguma forma, poderia apontar para as espécies de fronteiras que não nos deixam transitar. Não se trata portanto de anunciar o sonho que falta, mas sobretudo indicar o fracasso do sonho que cultivamos (por vezes, é exatamente, o sonho de consumo).Vejamos o que diz sobre este ponto:

“A vocação da utopia é o fracasso; o seu valor epistemológico está nas paredes que ela nos permite perceber em torno das nossas mentes, nos limites invisíveis que nos permite detectar, por mera indução, a lama da época presente que se gruda nos sapatos da Utopia alada, imaginando que isso é a própria força da gravidade. Como nos ensinou Louis Marin em seu Utopiques, o texto utópico realmente nos dá a vívida lição daquilo que não podemos imaginar: só que não o faz pela imaginação concreta, mas sim por meio dos buracos no texto, que são a nossa própria incapacidade de ver além da época e suas conclusões ideológicas” [xvii].

_______________
[i] BENJAMIN, Walter. “Karl Kraus” in: KRAUS, Karl. Cette grande époque, Petite Bibliothèque Rivages, Paris, 1990, p. 50.

[ii] LONDON, Jack. O pagão, Editora Dantes, Rio de Janeiro, 2000, p. 22.

[iii] BLOCH, Ernst. O princípio esperança, Editora Contraponto, Rio de Janeiro, 2005, p. 18.

[iv] SANTOS, Milton. A natureza do espaço, Edusp, São Paulo, 2002, p. 21.

[v] LIMA, Lezama. A dignidade da poesia, Editora Ática, São Paulo, 1996, p. 127.

[vi] PROUST, Marcel. Pléiade, Gallimard, Paris, Tomo III, pp. 772-3.

[vii] FREUD, Sigmund. “Inibição, Sintoma e Angústia”, Obras Completas, Tomo III, Biblioteca Nueva, Madri, p. 28.

[viii] PEIXOTO, Mário. Poemas de permeio com o mar, Aeroplano Editora, Rio de Janeiro, 2002, p. 63.

[ix] Ver SOUSA, Edson. “A burocratização do amanhã”. Revista Porto Arte, Pós-Graduação em Artes Visuais UFRGS, Editora da UFRGS, Porto Alegre, nº 24 (no prelo).

[x] JAMESON, Fredric. A cultura do dinheiro – ensaios sobre a globalização, Editora Vozes, Petrópolis, 2001. p. 22.

[xi] BENJAMIN, Walter. “Experiência e Pobreza” in: Obras Escolhidas: magia e técnica, arte e política, Editora Brasiliense, São Paulo,1994, p. 115.

[xii] Desenvolvi mais amplamente estas idéias no texto “Monocromos psíquicos: alguns teoremas” in: RIVERA, Tania & SAFATLE, Wladimir. Sobre Arte e Psicanálise, Editora Escuta, São Paulo, 200.

[xiii] BLOCH, Ernst. O princípio esperança, Editora Contraponto, Rio de Janeiro, 2005.

[xiv] BENJAMIN, Walter. Paris, capitale du XIX siècle, Cerf, Paris, 1989, p. 491.

[xv] GELMAN, Juan. “A mão” in: Isso, Editora da Unb, Brasília, 2004.

[xvi] Desenvolvo amplamente esta reflexão no texto “Por uma cultura da Utopia” in: BOETTCHER, Claudia. Unicultura, Editora da UFRGS, Porto Alegre, 2002.

[xvii] JAMESON, Fredric. As sementes do tempo. Editora Ática, São Paulo, 1977.

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* Edson Luiz André de Sousa, graduado em Psicologia pela PUCRS, especializado em Filosofia pela UFRGS, mestre em Psicanálise e Psicopatologia pela Université de Paris VII e Doutor em Psicanálise e Psicopatologia pela Université de Paris VII. Atualmente é professor adjunto na UFRGS. Tem experiência na área de Psicologia, com ênfase em Psicanálise. É organizador de vários livros e autor de Freud (São Paulo, Abril, 2005)

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Seminário Internacional Fronteiras do Pensamento – Artigo que integra o Livro Fronteiras: arte e pensamento na época do multiculturalismo, organização de Fernando Schüler e Marília Barcellos, Porto Alegre: Sulina/Telos, 2006.
Fonte: Site Fronteiras do Pensamento

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