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Previsivelmente Irracional: As Forças Ocultas que Moldam Nossas Decisões

Posted by zuleica em Janeiro 10, 2008

Negação é autodefesa essencial para a vida em sociedade, dizem psicólogos
Fazer vista grossa para os próprios deslizes e para os dos pares é normal.
Situação vira problema apenas se a pessoa começa a viver em mundo de ilusão.

BENEDICT CAREY  do New York Times

Durante anos ela escondeu as faturas de cartão de crédito do marido: o casaco bordado de US$ 2.500 da Neiman Marcus. O cachecol ornado com contas de US$ 900 da Blake, de Chicago. O par de botas de US$ 600 da Dries van Noten. Todos artigos maravilhosos e perfeitamente acessíveis se ela administrasse algum fundo hedge ou fosse uma executiva do Google.
Os amigos, em princípio, deram alguns toques para que ela maneirasse ou redirecionasse seus potenciais criativos. A mãe ficou cada vez mais preocupada, a ponto de começar a fazer perguntas diretas. Mas os vendedores continuavam ligando com as mais novas dicas de moda da próxima estação e as estações, como se sabe, não param de mudar.

“A situação ficou tão grave que eu me sentava de repente no meio da noite e me perguntava se eu não iria jogar tudo pelos ares e tudo iria explodir nas minhas mãos”, contou a reservada compradora, Katharine Farrington, 46, roteirista free-lance residente em Washington, que hoje está livre das dívidas. “Não entendo como pude negar isso por tanto tempo. Acho que eu era otimista achando que conseguiria pagar e que aquilo não estava magoando ninguém.”

“Bom, claro que nada disso era verdade.”

Todo mundo vive em negação em relação a alguma coisa; tente negar isso e observe seus amigos fazendo uma lista. Para Freud, a negação é uma defesa contra realidades externas que ameaçam o ego, e muitos psicólogos hoje diriam que pode ser uma defesa protetora diante de notícias intoleráveis, como a de um diagnóstico de câncer.

No vernáculo moderno, afirmar que alguém está “em negação” é aplicar um cruel golpe duplo: um no estômago pela traição ou alcoolismo ou mau comportamento e outro tapa na cara pelo covarde ato de se enganar para fingir que nada disso é um problema.

Contudo, estudos recentes das mais diversas áreas, como psicologia e antropologia, sugerem que a capacidade de olhar na outra direção, embora seja potencialmente destrutiva, é também de fundamental importância para construir e nutrir relacionamentos próximos. Os truques psicológicos que as pessoas usam para ignorar um problema desagradável nas próprias famílias são os mesmos de que elas precisam para conviver com a desonestidade e a traição comuns ao homem, sejam detectadas nelas mesmas ou em terceiros. E são exatamente essas habilidades altamente evoluídas, como sugerem as pesquisas, que servem de base para o mais aplacador de todos os atrativos humanos, o perdão.

Segundo essa nova abordagem, os cientistas sociais vêem a negação em um espectro mais abrangente, da desatenção benigna passando pela consciência passiva até a cegueira absoluta e voluntária, por parte de casais, grupos e organizações sociais, bem como de indivíduos. Analisar a negação dessa forma, como alguns cientistas argumentam, ajuda a esclarecer quando é sábio lidar com uma pessoa ou situação difícil e quando a negação ameaça se tornar um tipo de inconsciência silenciosa infecciosa que pode fazer com que pessoas sinceras acabem sendo hipócritas.

“Quanto mais de perto você observa, mais claramente percebe que a negação é parte da angustiante negociação que fazemos para vivermos como seres sociais”, declarou Michael McCullough, psicólogo da Universidade de Miami e autor do livro que será lançado em breve “Beyond Revenge: The Evolution of the Forgiveness Instinct” (Além da Vingança: A Evolução do Instinto do Perdão).

“Queremos realmente ser pessoas éticas, mas o fato é que pegamos atalhos para obter vantagens individuais, e contamos com o espaço que a negação nos dá para seguir em frente, para tentar escapar de pagar multas por excesso de velocidade e perdoar outros por fazerem o mesmo.”

A capacidade de negação parece ter se desenvolvido, em parte, para compensar a hipersensibilidade primitiva dos seres humanos às quebras de confiança. Em pequenos grupos afins, identificar mentirosos e enganadores falsos era uma questão de sobrevivência. Alguns boatos negativos poderiam significar uma perda de posição ou até a expulsão do grupo ou uma sentença de morte.

Em uma série de estudos recentes, uma equipe de pesquisadores liderada por Peter H. Kim, da Universidade de Southern California, e Donald L. Ferrin, da Universidade de Buffalo, hoje na Singapore Management University, pediu que grupos de estudantes de administração avaliassem a integridade de um candidato a emprego depois de saberem que aquela pessoa havia cometido uma infração em um emprego anterior.

Os participantes assistiram a um vídeo de uma entrevista de trabalho em que o candidato era confrontado com o problema e ou negava-o ou se desculpava pelo que fez. Se a infração fosse descrita como um simples erro e o candidato pedisse desculpas, os espectadores davam a ele o beneficio da dúvida e diziam que confiariam a ele responsabilidades profissionais. Mas se a infração fosse descrita como uma fraude e a pessoa pedisse desculpas, a confiança dos espectadores desaparecia, e mesmo as provas de que a pessoa era inocente de condutas indevidas não restauraram completamente a confiança.

“Concluímos que existe um sistema de estímulo enviesado”, disse Kim. “Se você for culpado de uma violação ligada à integridade e pedir desculpas, isso o prejudica mais do que se você for desonesto e negar.”

O sistema é enviesado exatamente porque as pessoas em quem confiamos e valorizamos são imperfeitas, como qualquer um, e não chegam nem perto de serem éticas ou confiáveis como esperamos que sejam. Se as contastações disso não fossem abundantes o suficiente em nosso cotidiano, o fato perduraria incontestavelmente em um estudo recente liderado por Dan Ariely, economista comportamental do Massachusetts Institute of Technology.

Ariely e dois colegas, Nina Mazar e On Amir, aplicaram um teste de conhecimentos gerais de múltipla escolha a 326 alunos, prometendo a eles um pagamento por resposta correta. Os alunos foram instruídos a passar as respostas, para o cômputo oficial, para um formulário de gabarito em que a resposta deveria ser pintada em cada pergunta.

Mas alguns alunos tiveram a oportunidade de trapacear: receberam folhas de gabarito com as respostas corretas levemente pintadas de cinza, supostamente expostas assim sem querer. Em comparação com os demais, estes alunos mudaram cerca de 20% das respostas, e um estudo posterior demonstrou que eles não tinham consciência da magnitude de sua desonestidade.

“Concluímos que pessoas boas podem ser desonestas até o ponto em que a consciência soa o alarme”, declarou Ariely, autor do livro “Predictably Irrational: The Hidden Forces that Shape Our Decisions”(Previsivelmente Irracional: As Forças Ocultas que Moldam Nossas Decisões), que será lançado no ano que vem. “Conclui-se que você basicamente tapeia a consciência um pouco e comete pequenas transgressões sem despertá-la. Tudo passa despercebido pelo radar porque você não está prestando tanta atenção assim.”

É um engano subestimar o poder da simples atenção. As pessoas podem estar totalmente conscientes sobre aquilo em que prestam atenção e nitidamente alheias ao que não prestam atenção, segundo descobertas dos psicólogos. Na vida real, sem dúvida, eventuais negações de mau comportamento exigem mais do que uma mera ginástica mental, mas a ausência de atenção é o primeiro e básico ingrediente.

O segundo ingrediente, ou segundo nível, é a consciência passiva, quando as infrações são persistentes demais para passarem despercebidas. As pessoas adaptaram uma infinidade de maneiras de lidar com esses problemas indiretamente. Uma das sobrancelhas levantada, um esboço de sorriso ou um balançar da cabeça podem sinalizar “Eu vi” e “Vou deixar passar desta vez”.

A consciência é passiva por bons motivos: um confronto aberto, com um ente querido ou consigo mesmo, traz o risco de uma grande ruptura ou mudança de vida que poderia ser mais terrível do que a infração em si. E, com mais freqüência do que se imagina, um gesto sutil pode ser um alerta suficiente para acionar uma mudança de comportamento, mesmo que seja o próprio.

Na tentativa de avaliar exatamente com que freqüência as pessoas fazem vista grossa ou punem infrações dentro de seus grupos de semelhantes, uma equipe de antropólogos de New Mexico e Vancouver fez uma simulação de um jogo a fim de medir os níveis de cooperação. Neste jogo de competição um a um, os jogadores decidem se irão contribuir para um pool de investimentos compartilhado, e podem excluir o parceiro se acreditarem que as contribuições daquele jogador são ínfimas demais. Os pesquisadores descobriram que assim que os jogadores estabeleciam um relacionamento de confiança baseado em diversas interações, uma vez instaurado, ambos entravam para a mesma panelinha, eles estavam dispostos a deixar passar quatro ou cinco violações em seqüência sem eliminar um amigo. Eles eliminavam pessoas de fora do grupo após apenas uma única violação.

Usando um programa de computador, os antropólogos fizeram a simulação em diversas gerações, na verdade acelerando a fita de evolução dessa comunidade de jogadores. E a proporção de vista grossa às violações de confiança se mantiveram; isto é, esse padrão de comportamento de perdão definiu grupos estáveis que maximizaram a sobrevivência e relevância evolucionária dos indivíduos.

“Existem muitas formas de refletir sobre isso”, declarou o coordenador da pesquisa, Daniel J. Hruschka, do Santa Fe Institute, grupo de pesquisas focado em sistemas complexos. “Uma delas é que você está se mudando e realmente precisa de ajuda, mas seu amigo não retorna a sua ligação. Bem, talvez ele esteja viajando e não se trate de negligência de forma alguma. A capacidade de deixar passar ou perdoar é uma forma de superar essas vicissitudes do dia-a-dia.”

Em nenhuma outra relação as pessoas utilizam as habilidades de negação com mais eficácia do que com um cônjuge ou companheiro. Em uma série de estudos, Sandra Murray, da Universidade de Buffalo, e John Holmes, da Universidade de Waterloo, em Ontário, demonstraram que é muito comum as pessoas idealizarem os parceiros, superestimando suas capacidades e minimizando suas fraquezas.

Isso, em geral, envolve um misto de negar e dourar a pílula: ver o ciúme como sinal de paixão, por exemplo, ou a teimosia como um forte senso de certo e errado. No entanto, os estudos identificaram que os parceiros que idealizam um ao outro dessa forma têm mais chances de permanecerem juntos e de afirmarem que estão satisfeitos com o relacionamento do que os que não seguem esse padrão.

“Dados sugerem que se você vê a outra pessoa de maneira idealizada, e tratá-la em linha com essa visão, ela começa a se enxergar dessa forma também”, declarou Murray. “Isso promove esses comportamentos mais positivos.”

Diante de fortes indícios de verdadeira deslealdade, as pessoas não dispostas a se arriscar a uma ruptura distorcem a sua percepção da realidade muito mais propositadamente. Uma maneira comum de fazer isso é renomear o que são nítidas violações à ética como gafes, deslizes ou lapsos de competência, porque essas coisas são mais toleráveis, explicou Kim, da USC. De fato, como diz Kim, as pessoas “reformulam a violação ética como uma violação de competência.”

Ela não estava traindo-o, apenas se perdeu. Ele não omitiu os prejuízos do setor de financiamentos imobiliários durante anos, apenas errou os cálculos.

Essa reformulação ativa dos eventos, baseada nas mesmas ferramentas psicológicas como falta de atenção e consciência passiva, é o ponto em que o reparo do relacionamento pode começar a transmutar para o auto-engano voluntário do tipo que assume vida própria. Todo mundo sabe como é isso: você não consegue falar sobre o caso e não consegue não falar sobre não falar sobre isso. Pouco tempo depois, não consegue falar de nenhum assunto que esteja mesmo remotamente relacionado a isso.

As expectativas sociais implícitas no mundo muitas vezes reforçam a conspiração, seja qual for sua origem, explicou Eviatar Zerubavel, sociólogo da Rutgers e autor de “The Elephant in the Room: Silence and Denial in Everyday Life” (O Elefante na Sala: Silêncio e Negação no Dia-a-Dia).

“Tato, decoro, educação, tabu, tudo isso limita o que pode ser dito em meios sociais”, disse ele. “Nunca vi tato e tabu abordados no mesmo contexto, mas um é apenas uma versão consolidada do outro, e não se sabe ao certo onde as pessoas traçam a linha entre as preocupações particulares e essas restrições sociais.”

Em suma, as convenções sociais muitas vezes funcionam para encolher o espaço em que uma conspiração de silêncio pode ser rompida: não no trabalho, não bem aqui em público, não à mesa durante o jantar, não aqui. É necessário haver uma crise externa para romper a negação e ninguém precisa de um estudo psicológico para saber como isso acaba.

No caso de Farrington, o acontecimento foi a saída do país devido à transferência do emprego do marido. Sem conseguir ganhar a mesma quantidade de dinheiro com seu próprio trabalho, ela continuou comprando, mas não tinha como cobrir os pagamentos do cartão de crédito.

“Basicamente”, disse ela, “Eu tive que dar a mão à palmatória. Foi terrível, mas admiti para o meu marido, admiti para minha mãe e para outra amiga que cuidava das contas enquanto estava fora. Toda essa rede de intrigas, no fim, tinha que arrebentar”. Agora ela vai atrás de ofertas melhores no eBay. [G1] 24/11/2007 – 9:00hs

Fonte: TecnoCientista

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Resilência

Posted by zuleica em Agosto 27, 2007

Capacidade de superar os traumatismos psíquicos e
as mais graves ferida emocionais

Ciências Humanas
Entrevista com o neuropsiquiatra Boris Cyrulnik – por Anne Rapin
Fonte: http://www.ambafrance.org.br/abr/label/label45/sciences/page.html

“Nunca se deve reduzir uma pessoa a seu trauma”

Etólogo de formação, Boris Cyrulnik abriu o campo da pesquisa, na França, à etologia humana, dentro de uma abordagem decididamente pluridisciplinar*, revolucionando inúmeras idéias pré-estabelecidas sobre o ser humano. Suas duas últimas obras, Un Merveilleux Malheur [Uma maravilhosa infelicidade] e Les Vilains Petits Canards [Os patinhos feios], que fizeram um enorme sucesso na França, relatam seus trabalhos sobre o conceito de resiliência, essa capacidade de superar os traumatismos psíquicos e as mais graves feridas emocionais: doença, luto, estupro, tortura, atentado, deportação, guerra… Violências físicas e morais às quais milhões de crianças, mulheres e homens estão expostos no mundo de hoje. Apoiando-se em inúmeros exemplos observados localmente, em seu consultório de psicoterapeuta assim como em suas missões no exterior – da Bósnia ao Camboja, passando pelo Brasil e pela Rússia –, ele nos explica como, mesmo nos casos mais terríveis, as pessoas podem se recuperar e retomar o curso de suas vidas, graças a algumas faculdades adquiridas na infância e ao apoio recebido depois da experiência traumatizante.

Label France: O que caracteriza um traumatismo e o distingue de uma simples provação física ou moral?
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A famosa condenação — Vá plantar batatas!

Posted by zuleica em Agosto 23, 2007

O filósofo Sócrates – grande professor da humanidade, que hoje não lecionaria em universidade nenhuma por falta de titulação e ausência de publicações, já que não deixou livro algum – utilizava a ironia como recurso pedagógico, levando o aluno a reconhecer a própria ignorância, coisa que está difícil de ser obtida hoje em dia por qualquer mestre.

Fonte deste artigo: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/asp030620036.htm

[copyright Jornal do Brasil, 1/06/03]

“Insultos divertidos”
Deonísio da Silva

“O brasileiro é debochado, irônico. Adora um escracho. Temos o costume de utilizar a gozação para exorcizar grandes desgraças. É raro que o figurino dramático nos caia bem. Nativo do Brasil meridional, testemunhei muitas vezes o riso catártico, quase político, purgando a tragédia. As enchentes de Santa Catarina são pródigas em cenas de calamidade pública. Certa vez, assisti a uma entrevista de um senhor cuja casa era levada pela força das águas. A televisão transmitia ao vivo. E a repórter, com aquela obviedade atroz, habitual em muitos telejornalistas, perguntou: ‘é sua casa que ali vai, né?’. No Sul, é mais freqüente a contração de ‘não é’ em ‘né’. E o entrevistado, rindo: ‘era’. E a moça: ‘deu para salvar alguma coisa?’. O paciente entrevistado: ‘nada’. ‘E a sua mulher, as crianças?’. O homem, resignado, sempre rindo, apontou para a esposa e os filhos, encolhidos no barranco: ‘ali’.

Numa coisa, porém, aquele brasileiro diferia do espírito nacional, que preza a exuberância vocabular. Era lacônico, palavra que veio do latim laconicu, breve, resumido, por sua vez procedente do grego lakonikós, em que tinha o mesmo significado. Os habitantes da Lacônia, região da Grécia cuja capital era Esparta, ao contrário dos de Atenas, caracterizavam-se por seu desprezo à oratória, primando por extremados cuidados com Leia o resto deste artigo »

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Modos de Olhar o mundo

Posted by zuleica em Março 5, 2007

Cultura é identidade. Mais que isso, é tudo o que o homem imaginou
para moldar o mundo, para se acomodar nele e torná-lo digno de si próprio.
É isso a cultura: tudo o que o homem inventou
para tornar a vida vivível e a morte afrontável.

Aimé Césaire

Fonte: TV Cultura – Provocações

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As estratégias defensivas turvam nossa visão – Freud tem toda razão ao lembrar que quando o caminhante canta na escuridão, recusa seu estado de angústia, mas não por isso pode ver mais claramente.

Posted by zuleica em Março 5, 2007

Furos no futuro: Utopia e cultura

Edson Luiz André de Sousa*

“O fenômeno é completamente diferente para aquele que o olha de costas.”
Walter Benjamin [i]

“Como alguém poderia encontrar as palavras para descrever um pesadelo?”
Jack London [ii]

Por vezes, o futuro se apresenta como uma névoa obscura cobrindo os sonhos com a fuligem do funcionamento da máquina social e as compulsões repetitivas da história. Encobre assim, uma das categorias mais essenciais da vida: a esperança. Diante deste cenário, “das aglomerações das coisas havidas obstruindo totalmente as categorias do futuro” [iii], nosso desafio é saber como abrir furos neste véu do amanhã. Os dois acordes iniciais do texto nos exigem um despertar. Benjamin sublinha que a posição do espectador é constitutiva do campo do olhar, o que significa dizer que o território que constituímos depende da posição em que nos colocamos para desenhá-lo e, evidentemente, dos instrumentos conceituais, históricos, subjetivos, culturais, políticos que temos à mão para o esboço desta geografia. É por esta razão que Milton Santos em seu clássico livro A natureza do espaço é categórico ao dizer que só podemos pensar o espaço como um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações [iv]. Assim, muitas vezes espaços distintos se apresentam como ilusoriamente homogêneos. É difícil reconhecer isto, sabemos, pois são muitas as estratégias de camuflar a diferença sob o véu das boas intenções e sob o manto dos conceitos ferozes que devoram com apetite as impurezas que marcam as diferenças. Nunca é demais prestar atenção ao alerta lúcido de Lezama Lima, ao mostrar o quanto o poder das imagens costura semelhanças produzindo >> Leia o resto deste artigo »

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Liberdade de Aprender em Nossa Década

Posted by zuleica em Fevereiro 23, 2007

Fonte
Sitehttp://www.jlbelas.psc.br/acp-rogers.htm#CITA
Do livro: Liberdade de Aprender Em Nossa Década; Ed. Artes Médicas Porto Alegre-RS; 1985; Pag.125/126. Obs.: Os destaques em negritos não são originais.

Educação
“Desejo iniciar este capítulo com uma declaração que, para algumas pessoas, pode parecer surpreendente, e, para outras talvez ofensiva. Ela é, simplesmente: ensinar, a meu juízo, constitui uma função altamente superestimada.
Havendo-a feito, corro ao dicionário para ver se é realmente isso o que quero dizer. Ensinar significa “instruir”. Pessoalmente não me acho muito interessado em instruir outros sobre o que devem saber ou pensar, embora algumas pessoas pareçam adorar fazê-lo. “Transmitir conhecimentos ou habilidades.” Minha reação é perguntar se não se pode ser mais eficiente usando-se um livro ou a aprendizagem programada.
“Fazer saber.” Aqui, os meus cabelos se eriçam: não tenho desejo algum de fazer alguém saber algo. “Mostrar, guiar, orientar.” Tal como o vejo, já se mostrou, guiou e orientou pessoas demais. Dessa maneira, chego à conclusão de que realmente disse o que queria dizer. Ensinar, para mim, é uma atividade relativamente sem importância e vastamente supervalorizada. Mas existe mais do que isso em minha atitude. Leia o resto deste artigo »

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A Ciência do Comportamento

Posted by zuleica em Fevereiro 23, 2007

Fonte
Site – http://www.jlbelas.psc.br/acp-rogers.htm#CITA
Do livro: O homem e a ciência do homem; Ano-1968; Ed. Interlivros de Minas Gerais; MG-Br-1973 Pag.58/59 e 60; Tema: A Ciência do Comportamento

________________

Ciência
” Valorizo a pessoa. De todas as incríveis formas de vida e não-vida que existem no universo, o ser humano é a que me parece ter o potencial mais excitante, as maiores possibilidades de um desenvolvimento contínuo, as melhores faculdades para uma vida auto-consciente. Não posso provar que o indivíduo seja quem mereça a maior valorização. Posso apenas dizer que minha experiência faz com que eu lhe atribua um valor primordial. Tenho plena consciência de que podem existir outros pontos de vista; que alguém pode, por exemplo, atribuir à sociedade o valor primordial e ao indivíduo apenas um valor secundário. Porém, apenas no indivíduo existe a consciência. Apenas no indivíduo cursos alternativos de ação podem ser profunda e conscientemente analisados quanto às suas conseqüências enriquecedoras ou destrutivas. Toda a história da humanidade, a meu ver, mostra uma ênfase gradualmente crescente na importância e valor de cada indivíduo. Eu não só observo esta tendência como participo dela.
… como uma pessoa, coloco-me nos dois campos: o mundo do cientista, rigoroso e preciso; e o mundo da pessoa, sensível e subjetivo.”

(…)

Como adquirimos o conhecimento ?
“Tenho tentado nos últimos anos, com o auxílio de colegas e alunos, pensar e investigar mais profundamente alguns desses problemas. Abordarei primeiro a pergunta: ” Como adquirimos o conhecimento?”. Quando deparamos pela primeira vez com esta pergunta, tendemos a pensar em parte da impressionante maquinaria da ciência. Quanto mais insistimos nesta pergunta, mais somos forçados a compreender que, em última análise, o
conhecimento apóia-se no subjetivo: Eu experimento; ao experimentar, eu existo; no existir eu, em um determinado sentido, conheço, tenho uma sensação de certeza. Todo o conhecimento, inclusive todo o conhecimento minúscula base subjetiva e pessoal.
…Se parece duro ou difícil desistir da infalibilidade do conhecimento que é habitualmente relacionada à ciência, talvez devamos reconhecer que, nas afirmações que faço, coloco uma sólida ênfase na ciência como um processo, mais do que à ciência como um resultado.”

Carl R. Rogers

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Teorias humanísticas da personalidade – Abordagem Centrada na Pessoa – TCC

Posted by zuleica em Fevereiro 23, 2007

Fonte
Sites
http://www.rogeriana.com/biografia.htm
http://www.jlbelas.psc.br/acp-rogers.htm#CITA
Página comemorativa de 100 anos de nascimento de Carl R. Rogers
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Biografia de Carl Rogers
João Hipólito *

Publicado na Revista de Estudos Rogerianos “A Pessoa como Centro”
Nº.3 – Primavera-Maio 1999
Resumo

O presente trabalho traça uma panorâmica da evolução do pensamento de Carl Rogers, inserindo-a no contexto da sua biografia. Os principais conceitos rogerianos, nos diferentes campos das ciências humanas, são abordados sucintamente.

Palavras-Chave

Carl Rogers; Terapia Centrada no Cliente; Abordagem Centrada na Pessoa; Pedagogia Centrada no Aluno; Orientação Não-Directiva
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Abstract

This paper presents a overview of the evolution of Carl Rogers thinking, placing it in the context of his biography. The main rogerian concepts, in the different fields of humain sciences, are shortly discussed.
Key-Words: Carl Rogers; Client-Centered-Therapy; Person-Centered Approach; Student Centered Learning; No-Directive Orientation
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1. Introdução

Kirschenbaum e Henderson publicaram em 1989 um livro com alguns dos textos de Carl Rogers, “The Carl Rogers Reader”. Na introdução lê-se: “Carl Ransom Rogers (1902-1987) foi o mais influente psicólogo na história americana”. Segundo o próprio Kirschenbaum afirma num dos artigos incluídos numa publicação colectiva sobre Rogers, o manuscrito original nomeava, mais precisamente, Rogers como sendo “o mais influente psicoterapeuta da história americana”. Leia o resto deste artigo »

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Leitura do absurdo em Camus

Posted by zuleica em Fevereiro 23, 2007

Fonte
Site: http://www.abrali.com/030ensaios/030leitura_do_absurdo_em_camus.html
Autor: Sandra Regina Sanchez Baldes

Leitura do absurdo em Camus – O Mito de Sísifo

Camus esclarece, logo na introdução, que a obra O Mito de Sísifo é apenas um ensaio e que este contém apenas descrição em estado puro de um mal de espírito. Ressalta, também, que nenhuma crença, nenhuma metafísica, estão mescladas ao conteúdo da obra. Camus considerava que avaliar se a vida merece ou não ser vivida é responder à questão central da filosofia. O restante, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, isto tudo vem depois. São apenas jogos. Camus cita Galileu , que possuía uma verdade científica importante, mas dela abjurou com muita facilidade, logo que tal verdade pôs sua vida em perigo. Para Camus, Galileu >>> Leia o resto deste artigo »

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Representações X Jogos de poder II

Posted by zuleica em Fevereiro 22, 2007

Fonte
Site -http://www.cadireito.com.br/artigos/art77.htm
Autor: José Luiz Quadros de Magalhães

ENSAIOS SOBRE IDEOLOGIA, PODER E DOMINAÇÃO NO ESTADO CONTEMPORÂNEO

ENSAIO 2
Profanação
JOSE LUIZ QUADROS DE MAGALHÃES

O pensador Giorgio Agamben[1] faz uma importante reflexão a respeito da construção das representações e da apropriação dos significados, o que o autor chama de sacralização como mecanismo de subtração do livre uso das pessoas as palavras e seus significados; coisas e seus usos; pessoas e sua significação histórica.

O Autor começa por explicar o mecanismo de sacralização na antiguidade. As coisas consagradas aos deuses são subtraídas do uso comum, do uso livre das pessoas. Há uma subtração do livre uso e do comércio das pessoas. A subtração do livre uso é uma forma de poder e de dominação. Assim consagrar significa retirar do domínio do direito humano sendo >>> Leia o resto deste artigo »

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